Um grupo de pesquisadores sobre a natação dizem que a estrutura da piscina olímpica da Rio 2016  pode ter dado vantagens injustas para os atletas que nadaram nas raias mais elevadas. De acordo com o The Wall Street Journal, Joel Stager, diretor do Centro de Counsilman da Universidade de Indiana para a Ciência de Natação, disse que sua equipe executou cálculos que sugeriram que nadadores que nadaram no estilo livre de 50 metros nas raias de cinco a oito, receberam um ligeiro aumento de velocidade. Enquanto isso, aqueles em raias de um a quatro sofreram perda de velocidade. Na natação, mesmo pequenas frações de segundo podem definir os participantes do pódio.

De acordo com Stager, o problema decorre de uma falha de projeto nesses tipos de piscinas de classe mundial, que foram construídos por uma empresa chamada Myrtha para os Jogos Olímpicos. A empresa que construiu a piscina olímpica no Rio de Janeiro foi a mesma contratada para o campeonato mundial de 2013, em Barcelona. Três anos atrás, a equipe de Stager documentou um efeito semelhante durante o torneio em Barcelona. Descobriu-se que a piscina estava criando correntes que ajudaram a raias de maior numeração da piscina e prejudicando as de numeração inferior. Os resultados foram publicados no ano seguinte na revista Medicine & Science in Sports & Exercise.

Piscina Olímpica Rio 2016

Agora, a equipe de Stager afirma que o projeto da piscina olímpica no Rio, mais uma vez compromete os resultados do esporte. Os pesquisadores apontam para o fato de que, dos oito homens e oito mulheres que participaram do estilo livre de 50 metros, todos menos um nadou nas faixas de cinco a oito. Outro fato intrigante é que aqueles que nadaram nestas raias durante as baterias ou semifinais e depois passaram para as raias inferiores, fizeram tempos piores aos obtidos anteriormente. Nas finais, Stager aponta que cinco dos seis medalhistas nadaram nas raias quatro a oito.

Quando a pesquisa da equipe foi lançado em 2014, um representante da Myrtha teria dito que “os tempos diziam que havia uma corrente na piscina em Barcelona”. Em ambos os casos, a Myrtha construíu as chamados piscinas temporárias, que são feitas para serem descartadas após o término de uma competição. Um documento separado publicado pela equipe de Stager em março deste ano constatou que as discrepâncias de tempo poderiam estar mais relacionadas com piscinas temporárias do que com as piscinas permanentes.

O presidente da Myrtha, Trevor Tiffany, disse ao WSJ que os seus funcionários testaram as piscinas no Rio para detecção de correntes, antes e depois da competição. “Fomos obrigados a fazer testes para mostrar que não havia nenhum movimento da água, e os testes foram conclusivos que de fato não havia este problema”, disse Tiffany.

A Federação Internacional de Natação e o Comitê Olímpico Internacional ainda não se posicionaram sobre o assunto.

Via The Wall Street Journal

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Editor – Graduado em Marketing e hard user de tecnologia